Aos 67 anos, aluno da rede estadual na EJA dá os primeiros passos na pesquisa científica

Feed Brasil
Rede social brasileira com classificados grátis
Acessar agora

Depois de mais de 30 anos longe da escola, o carpinteiro piauiense Carlos Barbosa de Medeiros voltou à sala de aula para concluir o Ensino Médio. A retomada nos estudos o levou aos primeiros passos na pesquisa científica, e ele quer ir além. “A gente não vive sem a Ciência, é ela quem segura o mundo”, enfatiza o estudante.


Carlos é aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Estadual (EE) Cacilda Braule Pinto, na zona leste de Manaus. Ele conta que sempre teve vontade de seguir estudando e conseguiu voltar ano passado, incentivado pelas duas filhas universitárias.

Mesmo se sentido deslocado por estar acima da média de idade dos colegas, o estudante se dedicou em tudo, inclusive no projeto “Quimicamente falando: transformação da linguagem cotidiana em linguagem científica, como aprendizagem significativa para a Educação de Jovens e Adultos (EJA)”, defendido no Programa Ciência na Escola (PCE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no ano passado.

“Eu quis aumentar meus conhecimentos, e a pesquisa em si me surpreendeu muito. A minha parte foi sobre os frutos da região Norte e foi muito educativa. Eu tinha essa vontade e curiosidade de estudar. No meu tempo de moleque já eram divididas as classes, e quem estudava era quem tinha posses, então essa era uma lacuna que faltava preencher”, confessa Medeiros.

Carlos conta que conseguiu bolsa parcial de estudos para cursar Pedagogia, Serviço Social e Psicologia em universidades privadas da capital, mas vai prestar o vestibular novamente após concluir a EJA e ter o certificado de Ensino Médio para apresentar na matrícula da universidade.

“Se eu continuar lúcido, do jeito que estou, quero estagiar e trabalhar com Educação. Às vezes, as pessoas se acham velhas demais, têm medo, e o meu conselho é para expulsar esse medo e ir atrás, ficar entre os jovens, aprender”, avalia o estudante.

Adaptação

A professora de Química Alyne Ribeiro foi quem incentivou Carlos a participar do projeto. Ela diz que é necessário que o docente perceba o público da EJA, composto por alunos jovens, recém-saídos do ambiente escolar, e também por pessoas mais velhas, que estão sem o contato com estudo há muito tempo.

“É necessário compreender que muitos deles, a maioria na verdade, infelizmente teve que abrir mão dos estudos, por conta do trabalho. A bagagem deles, de histórias, mesmo com as dificuldades deles, é cheia de força de vontade. O tempo deles é diferente do nosso. Eu sinto que estou ensinando meu pais, que estão nessa faixa etária. Eu fiquei encantada com o seu Carlos, ele foi fantástico em todas as etapas”, aponta a professora.

Para Alyne, a motivação é uma grande aliada dos docentes e discentes, pois existe o cansaço físico, a vergonha e adaptação dos conteúdos, e as formas de explicar são importantes no processo.

PCE

O Programa Ciência na Escola (PCE) é um programa criado pela Fapeam, desenvolvido em parceria com as secretarias de educação estadual e municipal, que visa ampliar a difusão de pesquisa científica e inovação tecnológica por professores e estudantes. Este ano o programa teve recorde em submissões de propostas.

As informações são da assessoria

Conteúdo da página